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Do Fórum Nacional de Apoio ao Dlis à proposta de formação da Rede Dlis
Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza
24/07/2003
A proposta de formação de uma rede em torno do desenvolvimento local integrado e sustentável não vem de hoje nem surge ao acaso, inserindo-se em uma trajetória que começou a ser desenhada cerca de quatro anos atrás, combinando esforços de articulação, acúmulos conceituais e implementação de iniciativas diferenciadas de apoio ao desenvolvimento local.

Como um componente fundamental desta trajetória, e um dos pontos de origem mais direta do projeto de formação da Rede Dlis, destaca-se a atuação do Fórum Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local, entre 1997 e 1999.

Começando a ser esboçado a partir de um encontro nacional sobre "Ação Local" promovido pela Ágora (Associação para Projetos de Combate à Fome) e instituições parceiras, no primeiro semestre de 1997, o Fórum foi criado em outubro daquele mesmo ano pelos 100 participantes do "Seminário Nacional sobre Metodologias de Apoio ao Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável", realizado em Recife/PE e promovido pela Banco do Nordeste, em parceria com a Ágora, a Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), o Projeto de Capacitação do Banco do Nordeste/PNUD e o SERE (Serviços e Estudos de Realização Empresarial Social da Fundação Friedrich Ebert), com o apoio do Conselho e da Secretaria Executiva da Comunidade Solidária.

Definiram-se então como principais objetivos do Fórum: i) a articulação de atores interessados em apoiar e promover o desenvolvimento local integrado e sustentável e ii) a sensibilização de organismos governamentais, empresariais, da sociedade civil e internacionais, visando a multiplicação de iniciativas voltadas para o desenvolvimento local.

Lançado publicamente em março de 1998, em Brasília, juntamente com a publicação de uma coletânea de trabalhos sobre o tema, elaborada por seus participantes, o Fórum promoveu mais seis encontros e eventos de diferentes proporções até maio de 1999 (Rio de Janeiro, Fortaleza, Florianópolis e Brasília). O último encontro correspondeu a uma Oficina de Planejamento que projetou alguns resultados esperados para junho de 2001, tais como:
i) acervo de experiências de Dlis reunidas e sistematizadas;
ii) metodologias de Dlis sistematizadas;
iii) “prateleira” de ferramentas para implementação de Dlis criada;
iv) instrumentos de apoio à capacitação elaborados/sistematizados;
v) rede permanente de interlocução entre os diversos atores implantada.

O Fórum, como tal, não teve continuidade no período que se seguiu, o que envolveu fatores diversos a analisar: desde as dificuldades político-institucionais de manutenção de um núcleo de articulação até a ausência de uma estrutura de funcionamento e de meios práticos de ação permanente. Muitos avaliam que, nas condições de seu funcionamento, o Fórum foi uma instância adequada e capaz de atingir em grande parte os objetivos formulados na sua origem, particularmente o de sensibilização de organismos de diferentes setores e a implantação e multiplicação de iniciativas de desenvolvimento local no país.

No período que desde então se abriu, pode-se considerar que uma articulação daquela natureza e forma já não responderia às necessidades e aos resultados requeridos, inclusive aqueles planejados pelos atores que constituíam o Fórum Nacional. A ampliação do universo de organizações e programas envolvidos, bem como a diversidade de dinâmicas e características das iniciativas relacionadas ao desenvolvimento local, viria a colocar novas necessidades e impor novos formatos de articulação. É nesse contexto que veio a se constituir o projeto de apoio à formação de uma rede em torno do desenvolvimento local, incorporando e articulando, além dos atores que antes participavam do Fórum, o acúmulo diversificado daqueles que desde então vêm atuando em torno do tema, no campo dos programas, das experiências, da pesquisa e da produção conceitual.

Simultaneamente, foram sendo gestados os meios práticos de materialização desta iniciativa. Para o ano 2000, o Conselho da Comunidade Solidária - que havia sido um dos principais pólos de articulação do Fórum, além de ter promovido duas rodadas ampliadas de interlocução política sobre o tema - resolveu propor a alocação de recursos do Orçamento Geral da União para apoiar as ações previstas no âmbito do Fórum. A sugestão orçamentária veio a ser aprovada, sendo os recursos destinados para a proposta da Rede Dlis, a ser viabilizada a partir de parceria entre a Casa Civil da Presidência da República e a Rits - Rede de Informações para o Terceiro Setor, através de projeto que veio a ter início já ao final de 2000.
Antecedentes
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