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Os homenageados
Elizeu de Sousa
29/03/2010
A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará prestou homenagem ao Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS) no dia 25 de março, em sessão solene. Na sessão, foram comemorados os 16 anos do CDVHS com a entrega de placas de reconhecimento público ao cardeal Lorscheider (in memoriam), ao padre Marcos Passerini, à irmã Isabel Tooda, à Tia Dizia e à dona Ângela.

O primeiro homenageado, dom Aloísio Lorscheider, foi fundador do CDVHS. Ele dizia que era necessário expandir a atuação em defesa dos direitos humanos criando centros na periferia de Fortaleza. Foi assim que em 26 de março de 1994 surgiu o CDVHS, com a sua bênção e o apoio da Arquidiocese de Fortaleza. A placa foi entregue a Geraldo Frencken, membro do “Grupo” - um coletivo de pessoas que realizou a última entrevista com dom Aloísio, editada em 2008 no livro “Mantenham as Lâmpadas Acesas”, um ano após a morte do bispo.

O padre Marcos, coordenador da Pastoral Carcerária do Ceará e também presidente do CDVHS, foi o segundo a receber uma placa. Ele foi o articulador da criação do CDVHS obtendo para isso, recursos de sua congregação religiosa, os “Combonianos do Nordeste”. Na época, Marcos coordenava a Comunidade de Comunidades do Grande Bom Jardim que envolvia Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e pastorais sociais.

O nome do CDVHS foi uma homenagem ao sociólogo Betinho, que naquele momento travava uma mobilização nacional através da “Campanha Contra a Fome e a Miséria e Pela Vida”, que mais adiante inspirou o programa “Fome Zero”, do governo federal.

A irmã Isabel Tooda, foi outra homenageada na sessão solene. Ela e suas companheiras da congregação das “Irmãs Salvatorianas” foram as primeiras a mobilizar os mais pobres das comunidades do Grande Bom Jardim para a busca de seus direitos. Hoje, com 70 anos, irmã Isabel continua morando na comunidade Santo Amaro. Faz 27 anos que se instalou ali para cuidar dos mais pobres.

A quarta homenageada Raimunda Cavalcante da Rocha é conhecida na comunidade como Tia Dizia. Ela é uma mulher lutadora em defesa de direitos sociais na região. Desde 1981, quando chegou a Granja Lisboa, tia Dizia se engajou nas Comunidades Eclesiais de Base. Ali, na luta coletiva, contribuiu com abaixo-assinados, manifestações e articulações para a conquista de calçamento para as ruas, linha de ônibus, escolas e posto de saúde. Tia Dizia também iniciou o grupo de mulheres empreendedoras na comunidade e foi uma das protagonistas leigas na edificação da igreja católica da comunidade. Ela acompanha o CDVHS desde a sua fundação.

A dona Ângela da Pastoral da Criança, como é conhecida, foi a última homenageada do evento. Ângela Lopes de Sousa, hoje com 78 anos, é mãe de 14 filhos. Ela dividiu, por quase trinta anos, a vida de dona-de-casa com a comunidade. Durante esse tempo, levou, de casa em casa, a orientação e a ajuda que ajudou a salvar centenas de crianças do Grande Bom Jardim. Com paciência, dona Ângela conseguia medicamentos e alimentos alternativos para mães e crianças desnutridas. Além da orientação, ela ensinava a fazer o soro caseiro e a multimistura – uma alimentação rica em vitaminas e outros nutrientes extraída de frutas e outros vegetais – divulgada nacionalmente pela Pastoral da Criança.

A Sessão Solene foi requerida pelo deputado Nelson Martins. Além dele, se fizeram presentes a deputada Rachel Marques e o deputado Francisco Caminha, além de outros representantes do poder público e de diversas organizações sociais de Fortaleza.
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