PRIMEIRO EMPREGO
Programa beneficia mais de 22 mil jovens no Ceará
Claude Bornél
da Redação
Um total de 668.335 jovens brasileiros com idades entre 16 e 24 anos foram beneficiados pelo Programa de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) do Governo federal desde o seu lançamento, em janeiro de 2003, até julho deste ano. No Ceará, foram 22.849 jovens no mesmo período. A informação foi divulgada ontem pelo secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Remígio Todeschini, observando que os números contemplam apenas as ações dos programas do governo federal direcionados à geração de emprego e renda como o ProJovem, ProUni, Rede Juventude Cidadã e o Consórcio Social da Juventude.
"Se contar as ações do MTE através do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e o Plano Nacional de Qualificação (PNQ), que atingiram 809.080 jovens no País desde 2003, chegamos a um total de 1,477 bilhão de jovens atendidos", acrescenta. Remígio Todeschini veio ontem a Fortaleza visitar o Ateliê da Juventude, no bairro Bom Jardim, um projeto desenvolvido a partir do Consórcio Social da Juventude, um dos programas do MTE que integra o Primeiro Emprego.
Em todo o Brasil, o consórcio já atendeu a um total de 125 mil jovens, afirma o secretário. Ele se disse impressionado com os resultados do projeto no Ceará e observa que algumas das experiências aplicadas no Estado estão sendo copiadas em outros centros como Porto Alegre e Santa Catarina. "O Ceará tem uma grande oportunidade de ampliar o projeto por meio de investimentos no setor de turismo. Se depender do MTE haverá o quarto, o quinto, o sexto consórcio para os jovens cearenses", acrescenta.
Na avaliação do secretário, além de ampliar os programas dirigidos a jovens o Governo federal precisa discutir com o Congresso Nacional os encargos sobre o setor produtivo em uma ampla reforma tributária, privilegiando justamente quem produz. "O governo tem reduzido os impostos em várias áreas de produção. Um exemplo recente é a possibilidade para quem exporta de converter até 30% do pagamento em dólar no momento mais adequado. Esta foi uma medida importante", completa.
O Consórcio Social da Juventude é administrado em cada Estado por uma instituição âncora, que no Ceará é o Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS). A coordenadora do CDVHS, Lúcia Albuquerque, conta que este é o terceiro ano de realização do consórcio, cuja proposta é oferecer capacitação para o jovem sair com uma profissão aprendida. Nesses três anos foram beneficiados 5.163 jovens cearenses, sendo 2.100 apenas este ano em 72 cursos como os de vendas, hotelaria, serigrafia e marmitaria.
Daqui a um mês, quando terminam os cursos, serão formadas três cooperativas de trabalho com alunos das turmas de confecção, serigrafia e alimentação. Lúcia afirma que o diferencial deste ano é a inclusão de um maior número de municípios. "Em 2004 eram apenas jovens de Fortaleza. No ano seguinte foi feita uma experiência com municípios da região metropolitana e entrou também Quixadá. Este ano são 11 municípios do Sertão Central, Maciço Baturité e do litoral", diz.
PS: O editor deste site adverte que, a cifra de "1,477 bilhão de jovens atendidos" está errada. Este número seria maior do que a população da Índia.
Nova pesquisa de emprego em estudo
Até 2008 será criada uma nova pesquisa trimestral para medir o nível de emprego no Brasil, como resultado de uma fusão entre a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD). A orientação surgiu na semana passada, de acordo com o secretário Remígio Todeschini, durante uma reunião em São Paulo do Conselho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do qual faz parte como representante do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). "A idéia é aprofundarmos os estudos já no ano que vem para começar a ser aplicado em 2008", explica.
Segundo Remígio, a criação da nova pesquisa não implica na extinção do PME e da PNAD. O novo levantamento, alega o secretário, vem da necessidade de se acompanhar mais de perto determinados movimentos relacionados a emprego que não aparecem nos estudos atuais. Remígio cita como exemplo que em muitos Estados do País as taxas estão crescendo por força da geração de postos de trabalho no interior, tanto nos segmentos de indústria de transformação quanto de comércio e serviços.
O secretário comenta ainda a taxa de desemprego de 10,7% apurada em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior dos últimos 15 meses nas seis principais regiões metropolitanas do País. "Desde janeiro de 2003 foram gerados 4,5 milhões de novos empregos no Brasil, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No Ceará demos um salto no período. Foram 90.450 novos empregos, contra 73.628 gerados de 1995 a 2002. Na média, o número de empregos praticamente triplicou, de 767 para 2103", acentua. (CB) |