| | Empoderamento de grupos associativos Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza 13/07/2003 |
O investimento do Centro Herbert de Souza, em oito anos, em conhecimentos, recursos humanos e financeiros na recuperação da identidade de um povo pobre e marginalizado na região do Grande Bom Jardim. Conforme relatado anteriormente este processo gerou vitórias que desencadearam mudanças significativas. Entretanto, o CDVHS compreendeu nos últimos três anos (2000-2002) que as mudanças além de serem significativas precisavam ser duradouras, consistentes e efetivas. Desta forma passou a investir prioritariamente na formação de bases sólidas para o futuro do desenvolvimento local do Grande Bom Jardim. Assumiu um papel de subsidiário ao protagonismo e empoderamento dos grupos comunitários que existiam e aos que emergiram ao longo do processo de construção da identidade dos pobres desta localidade.
Foram mais de 20 grupos assessorados no período que se encerrou em outubro de 2002. Nele cabe ressaltar a observação e a análise dos fenômenos sócio-emocionais dos grupos, revelados na busca constante de uma nova cultura de grupo, a partir da coesão, da relação interpessoal e gestão compartilhada do poder, de acordo com os seguintes verificações :
- 10 grupos assessorados reúnem características de um grupo coeso, ou seja, todos os componentes trabalham reunidos para um objetivo comum e aceitam a responsabilidade pelo trabalho coletivo, demonstrado em planejamento estratégico elaborado e na distribuição de responsabilidades;
- 05 grupos adquiriram habilidades de gerenciamento de conflitos interpessoais de forma criativa, promovendo, através do diálogo, o conhecimento dos pontos de vistas e dos sentimentos de cada um, para chegar ao diagnóstico do problema e buscar alternativas de resolução;
- 05 grupos revelam ainda imaturidade fazendo de conta que os conflitos interpessoais no relacionamento dentro do grupo não existem, ou seja, adotando a negação.
- 12 grupos já identificam problemas e buscam elaborar soluções; mas ainda necessitam de ajuda externa na hora de tomar decisões e escolher seus próprios caminhos, apesar de ter superado debilidades como a inexistência de reuniões da sua diretoria e assembléias de associados;
Em segundo lugar, é importante identificar os avanços no campo da tarefa, ou seja, o aumento da eficiência organizacional e a eficácia social dos grupos comunitários demonstrados nos seguintes dados preliminares:
- 10 departamentos de Gestão Organizacional criados e em funcionamento nas entidades, promovem o controle de documentação, os relatórios de atividades e financeiros, facilitam planos de trabalho e monitoramento das atividades promovidas pela entidade;
- aquisição de 06 microcomputadores para entidades que não possuíam este equipamento, favorecem a produção de relatórios, a elaboração de documentos reivindicatórios, etc.;
- 13 entidades comunitárias com seu jornal comunitário que serve de instrumento de informação e comunicação com associados e moradores do bairro em que se localiza;
- mais de 400 trabalhadores e trabalhadoras foram profissionalizadas em 2001, através de uma política de geração de trabalho, renda e profissionalização definida e implementada pelas entidades, em parceria com o governo do Estado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador;
- 100 Jovens da comunidade integrando projetos culturais, através de atividades de dança, música, esportes, teatro e outras modalidades culturais;
- Direito à educação mobilizando a comunidade local e garantindo construção de escola de ensino médio na área do Siqueira, garantindo acesso a mais de 300 adolescentes e jovens;
- 200 jovens estudantes das escolas públicas exercendo o protagonismo juvenil na área do desenvolvimento de uma cultura pela paz nas escolas, organizados em 10 Clubes da Paz;
Estes dados demonstram os alcances do empoderamento dos grupos comunitários em nível interno e externo, principalmente destacando a superação da cidadania tutelada. Fica evidente que um número significativo vem alcançando sua cidadania emancipada; enquanto ainda existem aqueles que a cidadania oscila entre a assistida e emancipada. Um avanço foi alcançado em relação ao grupo ser capaz de se compreender como sujeito, identificando a si e aos outros com autonomia. Hoje alguns grupos promovem reivindicações sociais e negociações políticas com os governantes, com postura de independência e autonomia. Entretanto, existem limites a serem superados especialmente quanto à capacidade de articulação entre os diferentes atores sociais, desestimulando aqueles grupos que atuam isoladamente e a ampliação da representatividade e legitimidade social dos grupos buscando atingir uma parcela mais significativa da população. |
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| | | | Alcances e Limites da Ação do CDVHS | | |
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