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| | O legado da ação da cidadania Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza 20/07/2003 |
A luta de combate à fome no Brasil não é de hoje. A partir da década de 70, inúmeros movimentos sociais multiplicaram-se neste país na defesa dos Direitos Humanos, na construção de alternativas contra o desemprego e outras ações afirmativas de políticas sociais e de busca de instrumentos políticos e jurídicos que permitissem dar efetividade a direitos garantidos na Constituição de 1988.
Nesse cenário, a Campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, uma iniciativa da sociedade civil que buscou a solidariedade da cidadania no combate imediato a fome e na luta contra a pobreza e a miséria não foi um acontecimento menor. A Ação da Cidadania foi descentralizada, autônoma e se espalhou por todo o país, em torno de seus 3.000 comitês criados por iniciativa local, mobilizando perto de três milhões de pessoas e envolvendo cerca de trinta milhões de brasileiros com alguma forma de contribuição.
A campanha desencadeou um amplo debate que mobilizou técnicos e especialistas em diversas áreas, lideranças políticas e representantes de governos locais, sobre as difíceis relações entre economia e direitos, políticas sociais e qualidade de vida. Em torno do problema da fome, tudo era então discutido em um debate que ganhou lugar nas páginas da grande imprensa: questões relativas à produção e distribuição de alimentos, às relações entre saúde e nutrição, tecnologia e desenvolvimento local, soluções para as mazelas das políticas sociais existentes ou, ainda, possíveis políticas sociais alternativas envolvendo o tema das parcerias Estado-Sociedade, o papel da iniciativa privada e também das organizações não-governamentais. Naqueles anos, a questão da pobreza foi decididamente projetada no centro do debate político, e esse talvez tenha sido o maior feito da campanha contra a fome.
A campanha contra a fome foi além de um apelo genérico à solidariedade, esteve conectada em ações urgentes e emergenciais e de enfrentamento da pobreza. O PROJETO FOME ZERO, lançado pelo governo Lula aprofunda esta concepção, na medida em que ele permite “combinar uma política emergencial e assistencial com políticas estruturantes de um novo padrão de desenvolvimento econômico”. |
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