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Economia solidária, uma alternativa de desenvolvimento
Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza
20/07/2003
“A palavra colaboração deriva do verbo latino collaborare, que significa trabalhar junto. A palavra solidária, por sua vez, deriva de solidu, significando algo forte, que dificilmente se deixa destruir por uma força externa. Em português claro, a palavra solidariedade possui um sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses e às responsabilidades de um grupo social, de uma nação ou da própria humanidade. Colaboração solidária significa, pois um trabalho compartilhado cujo vínculo recíproco entre as pessoas advém, primeiramente, de um sentido moral de co-responsabilidade pelo bem-viver de todos e de cada um em particular”.

Nos últimos tempos vêm surgindo e crescendo experiências nas quais se confere um caráter solidário, tomando destaque as no campo econômico. Na Europa, atualmente, encontra-se a Rede de Economia Solidária, referindo-se à articulação de certas atividades de financiamento, produção e comércio. No Brasil existe a Rede Brasileira de Socioeconomia Solidária e aqui no Ceará a Rede Cearense vem se estruturando e projetando, em nível local e nacional, experiências como a da FUNDESOL, induzida e acompanhada pelo Centro Herbert de Souza, e tantas outras no campo do cooperativismo, finanças solidárias, etc.

“Fortalece-se, portanto o conceito de consumo solidário que ocorre quando a seleção do que consumimos é feita não apenas considerando o nosso bem-viver pessoal, mas igualmente o bem-viver coletivo. Esse tipo de conduta somente se torna possível quando as pessoas compreendem que a produção encontra sua finalidade – ou o seu acabamento – no consumo e que ele tem impacto sobre todo o ecossistema e sobre a sociedade em geral”.

E é nestas experiências concretas que se articulam mundialmente, que proliferam novos valores essenciais e capazes de estabelecer um novo patamar de humanidade:

a) ao invés do individualismo, a colaboração;
b) ao invés da competitividade, a solidariedade;
c) ao invés do desemprego, a geração de empregos;
d) ao invés da destruição dos ecossistemas, o desenvolvimento ecologicamente sustentável;
e) ao invés da livre iniciativa, a livre iniciativa solidária.

Na Socioeconomia Solidária o modelo assistencialista é superado por um modelo autogestionário, capaz de empoderar os pobres, e fazê-los exercerem por si próprios o seu papel de sujeito. Os pobres são tratados como adultos e não como crianças. Na Socioeconomia Solidária o aprendizado é permanente e, a cada experiência vivida as pessoas ampliam seus conhecimentos, modificam seus comportamentos e cada um aprimora sua capacidade de amar a si mesmo, aos outros, e ao seu lugar, bem como viver a complementaridade entre as diferenças.

O PROJETO FOME ZERO reconhece que uma política de distribuição de alimentos deve incluir ações educativas, organizativas e emancipatórias não se limitando a medidas emergenciais.

Visando contribuir com este aspecto, consideramos que as lições adquiridas pelas experiências de socioeconomia solidária e, especialmente, a proposta de articular toda a cadeia produtiva, que envolve as fases do cultivo ou extração, transformação ou industrialização e comércio de cada bem que se torna disponível ao consumo final numa REDE DE COLABORAÇÃO SOLIDÁRIA, é uma alternativa viável ao sistema econômico vigente. Modificando, assim, a cultura e as regras de convivência social, além de demonstrar a perspectiva sustentável e transformadora do PROJETO FOME ZERO.
Carta Fome Zero
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