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A Tecnologia como Ferramenta para a Inserção Econômica e Política da Socioeconomia Solidária, e a Manutenção da Auto Gestão
Leonardo Ruoso - www.oktiva.com.br
24/07/2003
A captação e o fluxo intenso de informações são importantes na manutenção das organizações de socioeconomia solidária, pois tanto as agências de fomento, como as cooperativas e empresas solidárias precisam da ampla difusão de informações sobre a operação da organização para a tomada de decisões coletiva.

Em essência, a socioeconomia solidária implica em alguma forma de auto-gestão, senão através de cooperativas de produção, consumo, comércio ou crédito, em alguma forma de ação cooperada, característica que demanda lideranças que esbanjam carisma e autoridade e a circulação de informação consolidada e analisada para manter a coesão ou o consenso mínimo necessário entre os associados.

A tecnologia tem um papel definitivo na manutenção das organizações e, principalmente, na manutenção da autogestão interna, quando da inserção ou reinserção dessas organizações e seus associados na economia “principal”. Esse papel não está restrito à bem-vinda automatização das atividades operacionais e ao “deixar para o homem o que precisa da capacidade do homem”, mas trata-se do papel de contribuir para a coleta e o armazenamento de informações sobre a operação da própria organização e dos ambientes com os quais se relaciona, além de sua consolidação e análise primária.

Durante o período inicial ou “heróico” de uma organização de socioeconomia solidária, em que seus associados agem pelos objetivos claros, simples e hegemônicos de superar os desafios de sobrevivência da organização e deles próprios, a coesão é conseqüência, dentre outros motivos, do foco individual sobre o coletivo, que retira de pauta as disputas menores. Isso possibilita o sucesso inicial de muitas organizações, mesmo sem o fluxo intenso de informações.

A partir do momento em que surgem os sentimentos de que a cota de sacrifício individual foi atingida, as informações e as análises críveis tornam-se instrumentos fundamentais para a manutenção de um consenso mínimo necessário para a operação e o crescimento de uma organização de economia solidária. O desenvolvimento de sistemas de informação adequados à realidade da socioeconomia solidária pode ser um dos ingredientes na manutenção do sucesso inicial.

Os sistemas de informação da socioeconomia solidária possuem interessados ou stakeholders distintos das organizações tradicionais, o que dificulta a adoção de ferramentas, técnicas ou sistemas convencionais de prateleira, os chamados COTS, commercial off-the-shelf, o que gera para eles a demanda pela pesquisa e desenvolvimento de soluções específicas, mais flexíveis.

Aos provedores de tecnologia cabe a tarefa de entender as oportunidades que se abrem a partir do fomento ao desenvolvimento local sustentável, e à socioecnomia solidária, entender as reais necessidades desse negócio e desenvolver as ferramentas que auxiliam na consolidação dessa alternativa desenvolvimentista para as regiões menos favorecidas economicamente.

www.cdvhs.org.br – clipping do site www.oktiva.com.br
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