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| | Dialogando e tecendo sonhos Alberto Teixeira 11/12/2007 |
Precisamos construir um outro modelo de desenvolvimento que tenha o crescimento econômico como meio e não como fim; que seja gerador de trabalho descente, de oportunidades e liberdades; que seja humano, integral, eqüitativo e alicerçado nos princípios da sustentabilidade, da compaixão...
Dando continuidade ao Projeto Prática & Diálogo, este ano, elegemos (os promotores) como tema central: "Boa governança nas cidades e a construção de uma sociedade sustentável". Nos quatros encontros realizados com especialistas (local e de outros estados) de diferentes correntes ideológicas e cidadãos e cidadãs de nosso estado refletimos sobre a democratização da comunicação e o poder nas cidades; a governança para uma sociedade sustentável; a gestão da cidade e participação cidadã e os desafios e as possibilidades para a Construção der uma cidade sustentável.
Pensar em uma sociedade sustentável nos leva a refletir sobre estratégias integradas (institucionais, culturais, políticas, ecológicas, sociais e econômicas) a serem partes de uma produção social. A discutir, entre outras questões, sobre o tamanho das cidades e dos assentamentos humanos; os modos de gestão e de integração de ações; a cultura cívica e de planejamento e a incorporação de saberes (locais, global) e de experimentações (da academia e popular); a inclusão dos custos ambientais e sociais na contabilidade (no cálculo do PIB) e nos orçamentos; os hábitos de consumo, de transporte, de moradia e de novas formas de produção não-poluentes, poupadora de recursos naturais e de energia. Passa pela reflexão sobre as formas de democratizar as ações do Estado, o poder, os meios de comunicação e da informação e como fomentar do uso das novas tecnologias favoráveis ao desenvolvimento humano.
Construir um outro mundo, uma outra sociedade é possível. Entretanto, não são suficientes meras técnicas-administrativas para racionalizar as políticas públicas e nem aceitáveis as receitas acabadas dos chamados países do centro/desenvolvidos que ignorando as vontades dos atores sociais e dos cidadãos quem pensam e vivem de forma diferente. E é impossível, se não compreendermos como funciona o modelo de desenvolvimento global (excludente) e a ideologia do chamado "progresso". Esta é capaz de nos cegar e fazer com que queiram ser eles do Centro. "Eu quero ser você por não me conhecer". "Mais fumaça nos chaminés e nas cidades, mais PIB é sinônimo de progresso e por sua vez de bem estar". Mero engano.
A construção de uma sociedade sustentável passa por mudança dos nossos valores, de nosso modo de vida, pela necessidade de outras instituições e por uma governança que seja ética e democrática. Precisamos tecer alianças, vontades, sonhos, reciprocidades e os diversos recursos para que possamos cuidar melhor e respeitarmos a vida, a mãe terra e os nossos semelhantes. Precisamos construir um outro modelo de desenvolvimento que tenha o crescimento econômico como meio e não como fim; que seja gerador de trabalho descente, de oportunidades e liberdades; que seja humano, integral, eqüitativo e alicerçado nos princípios da sustentabilidade, da compaixão, da democracia, da cooperação e da responsabilidade individual e global, da ética e do Ser mais em vez do Ter mais.
Por fim faço a seguinte indagação: Vamos lutar para evitar que o Caos (local, global) se instale ou vamos esperar para ver se somos capazes de gerenciá-lo? A escolha é nossa e a responsabilidade também.
Alberto Teixeira - Economista, professor universitário e diretor da Escola de Formação de Governantes (EFG).
Jornal O Povo
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