 Mulheres de toda a cidade fazem ato no Bom Jardim. Começava um dia chuvoso, porém a alegria e a esperança davam o tom... Mulheres negras, mulheres indígenas, líderes comunitárias, ativistas ambientais, freiras, sindicalistas e até deputada estadual... Estavam todas lá. Eram mais de mil, incluindo vários homens que também ocuparam a margem esquerda do rio Maranguapinho no dia 8 de março, para depois, em caminhada, marcharem pelas ruas do Bom Jardim, em Fortaleza, até o momento final do ato público na praça do Santo Amaro.
O ato foi um protesto contra o capitalismo e a mercantilização da vida. “Direitos não são mercadorias”, bradavam as mulheres. O Fórum Cearense de Mulheres, a Articulação de Mulheres Brasileiras e a Articulação de Mulheres do Grande Bom Jardim foram as organizadoras. Juntaram-se a essas entidades a Central Única dos Trabalhadores, a Associação das Comunidades dos Índios Tapeba (ACITA), o Partido dos Trabalhadores, a Associação de Mulheres em Movimento, o PSTU, pastorais sociais da Igreja Católica, comunidades do Grande Bom Jardim, a deputada estadual Rachel Marques, o Centro de Defesa da Vida Herbert de Sousa, a Vida Brasil, dentre outras organizações.
Na marcha que ia tomando as ruas, destacavam-se faixas e cartazes, revelando dizeres como a “Vigília pelo fim da violência contra a mulher” e “Pelo cumprimento efetivo da lei Maria da Penha”. Outras evidenciavam assuntos que já se estabeleceram nas agendas dos movimentos sociais como o apelo “Pela igualdade de gênero e por uma sociedade igualitária”. Ou ainda temas polêmicos, que dividem opinião, como o “Aborto legal e seguro”. Tudo isso, revelando a diversidade e o aspecto democrático do movimento de mulheres que vai de uma ponta a outra do Brasil.
A mobilização das mulheres se deu no Bom Jardim, especialmente porque a região, apesar dos problemas sociais, é um lugar de resistência e do protagonismo das mulheres, concentrando centenas de organizações sociais, dentre elas algumas voltadas exclusivamente para as mulheres, como é o caso do Centro de Educação em Gênero e Igualdade Social (Cegis), que também participou do ato.
O dia 8 de março, hoje reconhecido internacionalmente, foi definido para demarcar publicamente a situação de discriminação e desigualdade social a que estavam submetidas as mulheres em todo o mundo. Passados 98 anos, as mulheres celebram muitas conquistas como resultado da luta cotidiana individual e coletiva de todas elas, como o aumento da participação na vida pública, o acesso à educação, a crescente profissionalização, a liberdade de expressão, o processo de “desnaturalização” da violência contra a mulher ou a conquista do direito a uma sexualidade prazerosa desvinculada da função reprodutora.
Mas, muito ainda precisa ser conquistado, como destacaram as mulheres no ato público. Ainda há muita opressão e discriminação. As mulheres são mais pobres do que os homens, têm menos poder político, sofrem violência por serem mulheres, são discriminadas, exploradas, tratadas como objeto de consumo e, conseqüentemente, estão submetidas à maior vulnerabilidade social, com graves conseqüências sobre a sua condição econômica, participação social, saúde e autonomia.
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