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Jornal O Povo
22/04/2008
MARANGUAPINHO

Falta de ações e dados desanimam moradores

Comitê Pró-Maranguapinho visitou bairros abarcados pelo Promurb e moradores reclamam da falta de informação

O lançamento oficial do Programa de Melhorias Urbanas na Bacia do Maranguapinho (Promurb) aconteceu há quase quatro meses, mas Vicente Moreira, morador do Parque Genibaú, ainda não sabe o que vai acontecer com ele. Pouco tempo depois do evento realizado em janeiro pelo Governo do Estado, várias casas da vizinhança, inclusive a dele, ganharam a marcação vermelha, sinalizando a retirada do morador. "Mas aí ninguém mais apareceu. Não sei pra onde iria. Dizem que é pro Bom Jardim", especula. O intervalo entre o anúncio do Promurb e a realização de alguma ação concreta, já desanima as famílias. "Para mim isso aí não sai. É bem a terceira vez que fazem cadastro aqui e nada", diz a vizinha de Vicente, Eva Araújo, 51.

Novamente o processo licitatório é o responsável pelo hiato entre o lançamento do projeto e o início das obras. Com a finalização dos projetos específicos do Promurb - são sete empreendimentos residenciais, uma barragem e a urbanização de 23 quilômetros de margem -, o primeiro conjunto habitacional está sendo licitado. Se tudo correr bem, as obras começam em 60 dias. O tempo estimado para a conclusão deste empreendimento é de 18 a 24 meses. Para concluir o projeto todo o Governo deve trabalhar três anos. "O cadastro teve que ser feito antes porque o acesso aos recursos federais dependia disso. Tínhamos que identificar todas as famílias atendidas", explica o secretário adjunto das Cidades, Jurandir Santiago.

Para o Comitê Pró-Maranguapinho, que visitou alguns bairros abarcados pelo Promurb na manhã de ontem, falta informação. "As pessoas tem mil e uma dúvidas. Não sabem para onde vão, quanto vão receber. Depois do cadastro ninguém mais apareceu. Isso gera uma série de conflitos", diz Gorete Vidal, do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza. O problema mais comum é a expulsão de inquilinos. "Com medo de perder a indenização, o dono da casa tira o morador de aluguel. Isso está acontecendo direto onde moro", conta Regina Maria da Silva, moradora do Bom Jardim. Jurandir afirma que o inquilino receberá uma unidade habitacional num dos empreendimentos e o proprietário, uma indenização pelo imóvel.

Mas a informação ainda não chegou nas comunidades. A visita do Comitê Pró-Maranguapinho deve dar origem a um relatório que será encaminhado à Secretaria das Cidades. "Tivemos uma reunião com a presença do coordenador do projeto na última sexta, agora vamos fazer o contraponto entre o que ele disse e o que vimos", diz Gorete. Além da falta de orientação, o comitê questiona a proximidade de algumas casas no trecho conhecido como "calçadão do Genibaú", onde as casas, mesmo há menos de 40 metros do rio, não entraram no cadastro. "É que há uns três anos, quando tiraram umas casinhas que ficavam na beira mesmo, alargaram o rio e aqui não alaga mais", arrisca a explicação Sérgio Portela, 49, morador do local.

Sem ilusão

Tatiana de Melo, 21, não está animada para morar no Bom Jardim. A má fama do bairro assusta. Mas como acha que não vai sair dali, apesar do número em vermelho na fachada, fica despreocupada. "O povo aqui já é acostumado. A gente nem se ilude. Eles fazem cadastro e nada acontece", diz. Antes dela nascer, os pais foram cadastrados em outro projeto, mas só saíram da casa quando Tatiana estava com 13 anos.

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